A manchete do Jornal do Tocantins de ontem, domingo (18), traz "Crack invade a rotina da comunidade tocantinense". E lá diz que Dianópolis é o principal ponto da droga no Estado. Confira abaixo a matéria de Agenor Garcia, com colaboração de Fernanda Bruni e Valéria Kurovski.

Crack invade a rotina da comunidade tocantinense

Números das apreensões feitas pelas Polícias Federal e Civil no estado crescem assustadoramente a cada ano


Um dos grandes males da saúde pública, nos dias atuais, é uma droga chamada crack. O que mais preocupa e impressiona é o avanço no consumo da droga em todo o Brasil. Pessoas estão perdendo suas vidas por causa do vício imediato que é uma das principais características do crack. Por conta disso, o Jornal do Tocantins inicia, hoje, uma série de reportagens sobre esse vício fatal. Números da Secretaria estadual de Segurança Pública (SSP-TO) mostram que, nos dois primeiros meses de 2010, foi apreendido 1,6 quilo de crack, quase o mesmo volume do ano de 2008 inteiro (1,7 kg). O volume deste ano corresponde a mais de 20% dos 8.092 gramas apreendidos em 2009.

Os dados da Polícia Federal (PF) indicam 89,99 gramas apreendidos de janeiro a maio deste ano no Tocantins. Número bem inferior ao volume apreendido em 2009, um total de 20,79 quilos. Isto porque, só em novembro do ano passado, em uma única operação, a PF apreendeu 20,505 quilos. Segundo o delegado federal Ronaldo Guilherme Campos, a quantidade apreendida de crack em 2010 pode parecer inexpressiva, mas não deixa de ser preocupante, pois só de pasta base, foram 42 quilos apreendidos em janeiro deste ano.

O delegado Roger Knewitz da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc), que integra a Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal, informou que, apesar da repressão da polícia, o crack entra no Tocantins principalmente por Dianópolis, município a 352 km de Palmas, na região Sudeste do estado, vinda da Bahia. Segundo Knewitz, também de Goiás tem vindo crack para consumo no Tocantins.

Os limites entre os dois estados, pela vastidão do cerrado, dá espaço para as manobras dos traficantes que dali espalham a droga que chega até a região metropolitana de Palmas, hoje, o mercado mais visado pelas quadrilhas. A razão para tanto consumo, segundo Knewitz, é devido ao baixo preço cobrado por cada pedra, R$ 10,00.

A SSP-TO mostra, em suas estatísticas, que o crack também é aprendido em pedras e comprimidos. Em 2008, foram 231 pedras; em 2009, 539 e, até fevereiro de 2010, 280 pedras apreendidas. Já sob a forma de comprimidos, foram 132 em 2008; 26 em 2009 e, em 2010, ainda não foi apreendido nenhum comprimido da droga.

AGRESSIVO
O crack é uma droga extremamente agressiva, vicia mais rapidamente do que os outros tipos de entorpecentes. Espalha-se mais rapidamente na comunidade, pela facilidade que o traficante tem de passar pelas barreiras policiais, escondendo-o entre as bagagens, visto que uma pequena quantidade de pasta básica, apenas um grama, segundo a polícia especializada, permite ao traficante fabricar cinco pedras de crack.

A polícia também sabe que a pasta básica da cocaína, uma espécie de borra que sobra depois do refino da droga, além de ser utilizada na fabricação do crack, serve para fazer a merla. Misturada com maconha, potencializa o efeito da tragada e vicia a pessoa tanto quando o crack.

PÚBLICO
O avanço das drogas no meio universitário é alarmante, segundo as autoridades que combatem o seus uso. Pesquisa realizada entre mais de 18 mil estudantes do ensino superior, em 2009, aponta que 49% já experimentaram um tipo de droga ilícita. Outros 22% estão sob risco de desenvolver dependência do álcool e 85%, da maconha.

O estudo é da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), órgão do Governo Federal responsável por coordenar a implementação da Política Nacional sobre Drogas (Pnad) e da Política Nacional sobre o Álcool (PNA), em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (GREAFMUSP). Nessa pesquisa, foram ouvidos estudantes matriculados em cursos de graduação presencial, de 100 instituições de ensino superior públicas e privadas nas capitais brasileiras.