O Hospital de Referência de Dianópolis passa por um dos piores momentos de sua história. Falta médico, remédios, pessoal, exames e ambulância. A situação já era alarmante há pelo menos um ano e meio e se agravou com a troca de governo no Tocantins, quando todos os comissionados do Estado foram demitidos e até hoje a situação não foi resolvida. O hospital está sem diretor geral, diretor administrativo, diretor técnico, gerente de patrimônio, gerente de logística e farmácia, gerente de recursos humanos, coordenador de recepção e coordenador de enfermagem. E o mais grave: faltam médicos.

Na manha desta segunda-feira (26), uma vítima de atropelamento chegou ao hospital por volta das seis da manha, com fratura na tíbia. Na falta de médico e de carro, a pessoa foi transferida para Porto Nacional. Detalhe: quem o levou foi o próprio atropelador, em seu carro, já que falta transporte no hospital.

Com a equipe que tem atualmente, o hospital não tem médico para atender o mês todo. “Pra fechar o mês, o governo tinha que pagar o plantão extraordinário. O ultimo pagamento foi em agosto de 2014, tanto dos médicos quanto da equipe de enfermagem. Estamos sem diárias de motorista e de técnicos que acompanham a transferência do paciente estão sem pagamento”, denuncia ao DnoTO.com.br um funcionário, que pediu para não ser identificado.

Faltam medicamentos
“Desde o dia 31 de dezembro de 2014 que não chegou sequer um comprimido de aspirina na farmácia do hospital”, denuncia o funcionário. “Estamos atendendo apenas com um tipo de antibiótico. Normalmente deveriam ter, pelo menos, cinco tipos deste medicamento em nosso estoque, além de outros remédios. Falta muita coisa. O soro deve acabar esta semana”, relata. Ele explica que esse problema não é de agora. Nos últimos dois anos sempre faltou alguma coisa e o diretor de logística, cargo ainda vago, era quem articulava com prefeituras da região a cessão de remédios.

Falta transporte
As duas ambulâncias que atendem a unidade estão paradas. Há algum tempo não recebem manutenção e o transporte de pacientes para Porto ou Palmas estava ocorrendo de forma precária, improvisada em dois Gols, que faziam serviços administrativos. Agora nem isso. “No fim de semana chegou ofício do Estado informando para devolvermos estes dois carros pequenos. Os veículos são alugados. Como o governo não paga as diárias do pessoal, informamos que não vamos levar. Se quiser, que venham buscar”, ironiza o funcionário.

Que referencia?
Para ser considerado um hospital de referencia, a unidade deveria contar com quatro tipos de especialidades atendendo simultaneamente: cirurgião, clínico geral, obstetra e pediatra. Dianópolis conta hoje com apenas dois tipos (cirurgião e clínico geral), mas que alternam o atendimento. Cada plantão é um médico. “E o cirurgião tem que atender como clínico geral, se não a população fica sem médico”, relata o funcionário.

O Hospital de Referencia de Dianópolis atende oito municípios: Dianópolis, Almas, Rio da Conceicão, Novo Jardim, Porto Alegre, Conceição, Taipas e Ponte Alta. Mas é normal a unidade receber paciente de outros municípios. “Taguatinga tem um hospital municipal, com menos estrutura. É frequente encaminharem pessoas pra Dianópolis”, relata o funcionário.

Faltam exames
Os exames laboratoriais (urina, sangue, glicemia, dentre outros) também não estão sendo feitos. Havia um contrato do estado com a Prefeitura para usar os laboratórios municipais. Com a falta de pagamento, o contrato foi rompido. A população está sem o atendimento. Também falta ultrassonografia.

Com a falta de pagamento dos sobreavisos dos obstetras, não estão sendo feitos os exames de ultrassom: “Os médicos ficam de sobreaviso. Quando há necessidade, ligamos e eles fazem o exame. Como o pagamento não sai, não tem exame”.

Resposta da Secretaria de Saúde
Questionado pelo DnoTO.com.br quanto aos problemas, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde responde abaixo, sem citar uma data específica para resolver o problema.

“Sobre os questionamentos deste veículo de comunicação a Secretaria de Estado da Saúde informa que está realizando todos os esforços necessários para manter os serviços de saúde funcionando, isso inclui a contratação de médicos, negociação com fornecedores de medicamentos e insumos, realização de novas compras e otimização da logística para manter os hospitais abastecidos.

Na semana passada foi enviado um carregamento de medicamentos e insumos para o Hospital Regional de Dianópolis e até sexta-feira, 30, uma das ambulâncias que estão em manutenção será liberada enviada para o hospital.

O mais breve possível novos profissionais estarão trabalhando no Hospital Regional de Dianópolis e conforme autorizações será feito as nomeações dos cargos de coordenação e direção do hospital”.