Geraldo Neto

Vi há pouco a cola dos Correios, numa agência aqui em Goiânia. Que me lembrou da agência dos Correios na minha cidade, na minha infância, na rua de minha vó, na rua que brinquei por inúmeras vezes. 

Esse objeto é como um baú lotado de riquezas. Sao memórias lindas que guardo daquele tempo. 

De Lito, dos Correios. 

Daquelas escadas, onde muito brinquei. Onde anos depois continuei brincando, mas já com "as fia dos outros". Pra bom entendedor, meia fuleragem é letra.

Daquele muro lateral e em frente à escolinha de Floreni. Por varias vezes e anos eu passava ali e ia, por ele, acompanhando meu crescimento (físico). Lembro de quando pulava e subia no muro pra ver o que tinha do outro lado. Logo eu só subia na ponta dos pés pra ver o que tinha lá. E lembro como hoje o sorriso que dei, pra mim mesmo, orgulhoso e envaidecido, no dia que passei, olhei pro lado e vi que finalmente eu era mais alto que o muro. Já era grandinho. Tava virando homem.

Mas meio criança e meio homem, merdeiro como todo adolescente, lembro também que uma vez um amigo da turma foi roubar galinha na vizinhança e caiu desse muro dos Correios, que já era velho e instável.

Esse simples objeto me remete à minha formação, ao meu caráter. Hoje sei que roubar galinha e roubar um milhão da na mesma. Quando eu comecei a aprender isso? Naquela época em que eu vivia aos redores da agência dos Correios. 

Foi ali em frente que estudei no prezinho. A educação formal teve início naquela vizinhança.

Ali em frente morou uma das mulheres mais linda que já conheci (e conheço), aquela com quem sonhei durante anos na minha infância, adolescência e vida adulta: Priscila Pontes. São doces lembranças dum sonho bonito.

Foi em frente aos Correios que eu decidi, ainda na infância, para toda a minha vida, que eu odiaria andar de skate. Pois foi ali que caí e me ralei todo. 

Foi na ladeira dos Correios que eu aprendi a amar a chuva e o fim de ano chuvoso. Brinquei muito naquela ladeira nas enxurradas, seja com barquinho de papel ou de havaianas.

A agência dos Correios testemunhou muitos amigos que fiz e tenho até hoje no Bar do Cocho, seu vizinho. Ali eu bebi muito querosene e comi o melhor fígado acebolado da minha vida.

Podia ficar horas, parágrafos e parágrafos pra falar de coisas que estão (e ficarão) grudadas em meio peito até a minha morte. Grudada com a cola dos Correios.

 

Geraldo Neto, radialista, pós-graduado em Assessoria de Comunicação, MBA em RH, da Rua de Cima, saudosista e colado nas coisas do passado.