Geraldo Neto

Tem a caseira e a comercial. Tem a loira tradicional, mas há também as marrons, vermelhas e as pretas...

Umas são mais fortes, outras suaves. No geral, quem gosta mesmo, gosta de todas. Claro: há preferência por algum estilo mas, lá no fundo, você acaba gostando de todas. “Há, mas é porque vocês não têm limite. Isso é um vício”, apressa-se em acusar nós pobres admiradores.

É assim: desde a Macedônia, seja lá onde fique isso, descobriu-se essa maravilha. Isso é apenas uma vertente histórica. Há quem diga que a Ciência não sabe de fato sua origem. Há uma corrente que dizia (e ainda diz) ser uma coisa dos Deuses. E que os monges amavam. E quem não ama?

Ela é complexa. A humanidade tem estudado há séculos seu processo, para tentar dominá-la. Pobre de nós.

Corrigindo: no politicamente correto chatos dias atuais, vamos usar o termo “entendê-las”. Há receitas milenares da melhor fórmula para isso.

Cada região acredita ter a melhor da categoria. Não há unanimidade no assunto. Pelo contrário. São intrigantes. Desafiadoras. Difíceis mesmo.

Eu comecei a gostar na adolescência, por razões óbvias. Fui até meio precoce, mas a rígida educação moral e cívica do lar me botavam em meu lugar. Já falei? Ouço Belo, sou recatado e do lar. Mas isso é tema pra outra conversa. Voltemos a elas.

Apreciei derna a mocidade. Há quem não goste. “Deus me livre, que coisa ruim. É amarga”. Sim, a maioria é amarga. Mas também tem as doces. Às vezes são amargas e doces ao mesmo tempo. Complexo, né? Tem as ácidas. Ô, são ótimas. Mas tem que saber curtir. Tem as mais condimentadas, tem aquelas sem-salzinha...mas repito: você tem uma preferência por um ou mais tipos. Pero, meu caro, tem momentos que todas descem redondo.

Voltemos às caseiras. Estão na moda mais do que nunca. É só modinha? É passageiro? É assunto de rodas de mesas de bares. Inclusive com elas na mesa. “Tem que ser de qualidade”, bradam os porta-bandeiras das “especiais”. Sem muita predileção e de saco cheio dessa Robertocarlagem, o outro intervém: “vocês estão com viadagem. Pra mim qualquer uma serve”. Ouço isso de vários amigos. Entendo-os. É gosto. O meu é diferente. Já gostei de qualquer uma. Hoje arrisco dizer que estou com um “paladar” mais refinado. Mas basta beber umas e esse discurso se esvazia.

Particularmente, tenho estudado com maior afinco nos últimos meses. Estudo on line, leio livros e converso com amigos pra conhecer melhor o processo. Mas ó: é difícil entender por completo. Quando você pensa que conhece um pouco, vem a surpresa. Você usa a mesma receita e o resultado é diferente. Receitas consagradas, inclusive, mas o resultado raramente é igual. Por que será tão difícil?

Claro, há os que dizem dominá-las. Mas gente besta, barata e buraco sempre existirão na humanidade.

No Instituto Eu Que Acho de pesquisas, sentencio: a preferência pelas caseiras tem aumentado. Entre homens e mulheres, sem distinção de classe social ou escolaridade. O público feminino tem apreciado cada vez mais, inclusive. Sempre foi tida como coisa pra homem, mas cada vezes mais mulheres também estão gostando.

Mas chega de falar delas. É assunto cabuloso e não se encerra por aqui. Pra prosa continuar sadia, o ideal seria sentar numa mesa, tomando uma cerveja e continuar a eterna busca por saber mais e mais sobre esse negócio tão bom e tão complexo: mulheres.

Geraldo Neto, radialista, pós-graduado em Assessoria de Comunicação, MBA em RH, e amante de mulheres e cervejas