Zilmar Wolney

Todos os acordos e negociatas, arquitetados pelo Governo, no sentido de atrair o evento Copa do Mundo de Futebol, para o Brasil, vão mostrando uma outra face do negócio e esfriando a população brasileira de sua grande paixão, o futebol. Resultados de jogos, em competições anteriores, negociados, superando a arte nos campos de futebol, esvaziaram os Estádios.

No Brasil, apesar do longo tempo concedido pela FIFA, para as construções e adaptações mínimas, desabamentos e desastres expuseram o amadorismo da gestão tupiniquim. Não bastasse esta exposição ridícula, perante o mundo, em nível interno, gastos astrônimos na construção de estádios, sem licitação, em detrimento da saúde, educação e esporte geraram o cisma e grupos se articulam, ameaçando protestos durante o evento.

Todos os títulos alcançados pelo Brasil, no futebol, e a construção de nomes como Pelé e Garrincha não conseguem despertar e chamar a atenção do público. Houve um desgaste generalizado com a publicação dos bastidores do futebol, até então pouco conhecido pelos torcedores. Entendem esses, que a arte e o improviso do futebol, nos gramados, não podem ser ofuscados por decisões políticas ou Tribunais Esportivos.

O esforço que a mídia televisiva e jornalística fazem, no sentido de minorar o fiasco, é digna de reconhecimento público. Aliás, é melhor acreditar que todo o movimento turístico, em decorrência da copa, impulsione a economia local, mesmo gerando o efeito colateral de elitizar o evento, por meio de ingressos com preços astronômicos, excluindo as camadas populares, para ser privilégio de estrangeiros ou castas sociais privilegiadas.

Espera-se, sim, a vitória do futebol brasileiro, não importa se isso, promova indiretamente a um grupo político, que vem regendo o País. A alegria da vitória situa-se além dos interesses econômicos e politiqueiros. A emoção do hino nacional, a camisa amarela, ainda deve mexer com os brios do torcedor brasileiro. Quem sabe os baderneiros, se encham de sentimento nacionalista, e por algum instante, esqueçam seus movimentos idealistas, e resolvam torcer pela seleção canarinho. Depois, retomem as lutas que forem dignas e as marchas políticas que se mostrarem justificáveis.

Zilmar Wolney Aires Filho, advogado e professor universitário, especialista em processo civil e mestrando em Direito. Titular da cadeira n. 16 da Academia de Letras de Dianópolis.