Noélia Araújo

Em tempos passados quando se via um criança triste, barriguda, empapuçada, com olheiras, sem coragem nem para brincar, até cavando paredes pra comer terra, já sabia que era
lombriga no bucho. Os pais mais cuidadosos não deixavam que chegasse a esse ponto, tratavam logo de fazer um limpa na barriga das crianças, dando de 6 em 6 meses um
lombrigueiro.

Na casa onde tivesse mais de uma criança, o mal era combatido em forma de mutirão, geralmente de madrugada.

Os lombrigueiros mais usados: Tiro Seguro, Pantelmim, Lombrigório, Vermicida, Santonino, Panvermina, Saúde dos Meninos e o famoso, que de tão ruim nunca me saiu da memória, o
inesquecível Tetracloretileno. A dose dele era única,10 comprimidos de uma só vez, que pra disfarçar o gosto ruim eram colocados dentro de uma banana e tomado com dieta zero de
gordura 24 horas antes.

O tal remédio de tão forte que era, dava um mal estar terrível, não podendo levantar a cabeça do travesseiro, tamanha era a tontura que dava na gente.

O arroto ou vômito, era o puro querosene!

Alguns desses remédios após tomá-los, ainda tinha que tomar uma chamada de azeite de mamona por cima, pois fazia parte do tratamento.

Os vermes mais comuns naquela época eram: Ameba, Oxiúros, Solitária, Giárdia, Anchilóstomo, e o Áscaris.Esse era chamado de lombriga de porco, muito comum entre as crianças,
principalmente as que gostavam de andar descalças, pois era muito fácil a contaminação, por não haver sanitário em todas as casas.

Geralmente esses lombrigueiros eram tomados na lua nova, época em que os vermes estavam assanhados e porisso fácil de combatê-los.

Tudo mudou, hoje o caso é diferente!

As crianças pouco andam descalças; os remédios tem sabor de frutas; ás vezes, a dose é de um só comprimido, e o mais importante é que os vermes dissolvem sem ter que passar por
aquele terrível constrangimento de ver os mesmos sairem vivos ou ter que serem puxados pra não enganchar na saída, como ás vezes acontecia.


Noélia Póvoa Araújo é casada, mae de 5 filhos, membro da Academia Dianopolina de Letras e é da Rua de Baixo